Como estudar história? Dicas para você, mãe e pai

Por que será que meu olho lê demoradamente os livros de história e, mesmo assim, tira notas ruins?

Por que será que meu filho lê demoradamente os livros de história e, mesmo assim, tira notas ruins? Esta pergunta é feita por muitos pais e pode ser respondida com outra pergunta: você já checou se, além de ler o livro, ele entende e sabe apontar o que de mais importante está ali?

Na hora de estudar, é importante fazer uma primeira leitura geral. Mas não basta. Uma nova leitura, direcionada, focada, é fundamental. Não é simplesmente ler. É apontar e entender os principais pontos do texto.

Mas como eu posso ajudar meu filho?

Vamos primeiro saber o que é história, por definição: é o estudo do passado da humanidade. Ela nos ensina de onde viemos e mostra tudo pelo que passamos para chegar até aqui. Nos mostra as falhas e os acertos, as vitórias e as tragédias, avanços, retrocessos, justiças e injustiças dos que vieram antes de nós. Tudo tem sua história: eu, meu celular, minha roupa, minha família, cidade, região, estado etc. Mas a história que nos interessa mais é a que nos mostra de onde viemos e para onde vamos como seres humanos inseridos dentro de uma sociedade.

Toda e qualquer época possui cinco grandes estruturas que a formam: política, econômica, social, religiosa e cultural.

 

Política

A política se refere às regras, à distribuição de poder, a quem, como e porque manda e quem obedece dentro de uma sociedade. Fulano de tal é rei, sicrano é súdito e um pode mandar no outro da forma que quiser? Se isso tá lá descrito, grifa!

Econômica

Já a economia nada mais é do que tudo aquilo que fazemos para nos sustentar e sobreviver. Diz respeito ao trabalho, a quem, como e para quem trabalha, e o que fazer com os frutos desse trabalho, a propriedade. “Fulano é servo, trabalha um pedaço de terra que é de outra pessoa, não recebe salário e não tem propriedade privada?” Tem isso no texto? Grifa!

Social

O social é o quem é quem na sociedade, como se relacionam os indivíduos e grupos, quais são mais valorizados e quais são os mais oprimidos, como funcionam as famílias etc.

Religioso

A religião é o conjunto de crenças espirituais de uma sociedade, em que Deus ou deuses as pessoas acreditam, como os louvam e assim por diante. Quais são as estruturas de poder da igreja ou religião daquele país ou sociedade?

Cultural

Na cultura, observamos comportamentos, costumes, artes, música, gostos, valores: o que as pessoas fazem no seu tempo livre? Como se divertem, o que valorizam em termos estéticos, o que consomem, o que acham bom ou mal, certo ou errado?

 

Então, é preciso orientar seu filho a procurar estes aspectos no texto (veja quadro nesta página!). Se ele ainda for muito novinho, você chama a atenção dele para esses cinco pontos mais relevantes. Se for mais velho, já é possível discutir essas questões mais aprofundadamente. Às vezes, seu filho foca num ponto mais curioso, mas menos importante. Não gaste muita energia debatendo este ponto, siga em frente.

Na segunda leitura do texto, seu filho deve grifar o que identificou de mais importante relacionado aos cinco pontos supracitados. Atenção: quem grifa tudo é por que não fez uma leitura anterior e não tem ainda a noção do que deve ser destacado. Quem grifa demais não prioriza nada e terá muita dificuldade de identificar o que é relevante.

Além de grifar, é interessante que seu filho faça um pequeno resumo, com as palavras dele, sobre o que foi lido e discutido – atenção para que o resumo mencione os trechos relevantes. Não esquece!

Depois de ter estudado o tema, grifado o texto, feito uma síntese e discutido com seu filho, uma outra forma de fixar o conteúdo é mudar de plataforma de estudo. Assim, assistir um filme relacionado à época ou um vídeo no Youtube sobre o tema pode ser uma boa forma de variar e ampliar a discussão. O site Descomplica tem bom material de estudo também, um estímulo diferente pode ser muito útil.

Seu filho também pode ser estimulado a contar aquela história que acabou de estudar com as palavrinhas dele. Assim, o adulto pode ajudá-la, sem dar palestras, mas dando iscas para ele aprofundar o tema. Por exemplo:

(Exemplo para crianças menores – Ensino fundamental I e II)

  • Quando os portugueses chegaram ao Brasil, alguns índios ficaram alegres.
  • Ué, mas por quê?
  • Por que os portugueses davam coisas pros índios.
  • Ah, então tinham trocas? Como eram? (Note que as trocas revelam um aspecto econômico da história contada e, por isso, mereceram um aprofundamento.)

(Exemplo para crianças maiores – Ensino Médio)

  • Quando os portugueses vieram ao Brasil, eles trouxeram padres para rezar missas.
  • Padres? Mas por que eles trouxeram padres?
  • Eles fundaram igrejas no Brasil e queriam que os índios participassem das missas.
  • Entendi. Essas missas eram de qual religião? E por que você acha que os portugueses queriam que os índios fossem catequizados? (Note que aqui você trata de um aspecto religioso – portanto, importante – e introduz a palavra “catequizar” ao debate, dando mais repertório de palavras a ele. Vamos tratar da questão do repertório alguns parágrafos abaixo.)

E os exercícios?

Uma forma interessante e útil de estudar é fazer os exercícios das provas de anos anteriores. A maioria das escolas fornece este material.

Outra estratégia, ainda relacionada aos exercícios, é a elaboração por parte do seu filho de listas de exercícios. Ele mesmo cria listas considerando aquelas 5 grandes estruturas. Note, quem é capaz de elaborar questões é que domina o conteúdo!

Seja um bom ouvinte

Um bom estímulo para que seu filho goste de história é ser um bom ouvinte como mãe/pai. Quando ele contar uma história, puxe reflexões e tente conectar com algo que ele esteja estudando. Estimule leituras em casa. Leia na frente dele. Compartilhe o que você está lendo. A leitura faz a criança ampliar o repertório de palavras. Repertório faz muito bem à memória. E história nada mais é do que memória qualificada.

Se a criança gosta de gibis, dê gibis de presente. Ao conversar, ofereça palavras para estimular o vocabulário. Por exemplo, se o filho menciona a espada do samurai, fale da katana – espada específica deste guerreiro japonês. Vá pesquisar sobre o tema com ela.

Ser bom pai é saber contar e, sobretudo, saber ouvir uma boa história. Isso está na base da existência humana: é por meio da troca de informação entre homens e mulheres que a humanidade evoluiu. A escritora Cléo Bussato ensina que os contos surgiram da necessidade intrínseca do homem em explicar a sua origem. Assim, quando seu filho conta uma história, ele está revisitando um costume milenar.

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