Estudar? Como faço?
Estudo tanto e apenas obtenho notas baixas! Por quê?
Antes de falarmos em estudar, é necessário fazer ponderações sobre a memória. Como ela é construída.
Vamos às devidas explicações:
Memorizar, existe diferença entre decorar e aprender?
Ainda há lugares onde o ensino nada mais é do que meter um monte de informações na cabeça de alguém e exigir que esta pessoas seja capaz de repetir uma porcentagem disso na hora da prova. Este ensino apenas informa, não forma a pessoa. É uma atividade meramente estéril e sem graça.
Felizmente, aos poucos vai-se redescobrindo o estado como algo agradável, criativo, inovador. A memorização faz parte do estudo e não a decoreba.
Decorar é uma atividade de mera repetição mecânica, em geral com uso da memória de curto ciclo. Já a memorização envolve um armazenamento de informações concomitante com algum aprendizado. Memorizar é uma das formas de aprender.
A melhor forma para se memorizar algo é executar, praticar, viver o que foi ensinado. A memorização deve vir naturalmente, como parte do processo.
“Por exemplo: você memorizou plenamente o caminho para a sua casa e o uso dos pedais do automóvel. Isso aconteceu porque você vivenciou esse conhecimento e emprestou a ele algum valor prático, real, uma utilidade.”
Para você aprender, basta repetir essas condições. Aprender é tão fácil quanto ir para casa.
E se para aprender é fundamental memorizar, conhecê-la será necessário para otimizá-la.
Fases do processo de memorização
1) Captação: a pessoa recebe informações através de seus sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. A visão tem certa preponderância, mas isto é influenciado pelo desenvolvimento cerebral.
COMO OTIMIZAR O RENDIMENTO DA FASE: Acuidade. Prestar atenção ao que está fazendo e ao que está acontecendo é a chave para uma boa captação.
2) Fixação: a fixação é feita nos neurônios, em especial nos dendritos. A fixação corresponde ao “marcar” a informação recebida no cérebro.

COMO OTIMIZAR O RENDIMENTO DA FASE: O cérebro irá realizar uma seleção de tudo o que estiver acontecendo e fixará o que parecer ou for determinado ser o mais importante. Aqui é essencial o interesse, amor e vontade da pessoa pelo assunto ou informação. O armazenamento depende da boa alimentação, oxigenação, boa capacitação e estímulo suficiente.
3) Manutenção: Depois de se “marcar” a informação em um número “x” de neurônios, será a hora de assegurar que esse registro não se perca nos pelo menos 10 bilhões de neurônios ativos. O cérebro raramente mantém guardada informação considerada inútil.

COMO OTIMIZAR O RENDIMENTO DA FASE: Para manter uma informação no cérebro é preciso indicar a utilidade da mesma. Para a informação não se perder ou apagar é preciso que ela seja bem fixada. E a boa fixação é aquela feita com a utilização de técnicas, especialmente a de associação das informações na rede neural. Seja curioso.
4) Recuperação: Recuperar significa localizar e resgatar a informação guardada e mantida no cérebro. Quem leva 2 horas para se lembrar de algo que precisa é uma pessoas que soube guardar e manter mas que não sabe recuperar a informação que já está no cérebro. O “branco” na prova é um problema de recuperação da informação.

COMO OTIMIZAR O RENDIMENTO DA FASE: Para recuperar, é preciso saber métodos para “armazenar” a informação de modo adequado. É como se deixássemos nossas “gavetas” ou “arquivos” cerebrais bem arrumados. Mais uma vez, precisaremos utilizar a associação, a etiquetação, processos mnemônicos, etc. A principal técnica aqui é a prática, o treino, a execução.
5) Transmissão: É a capacidade humana de repassar para terceiros – de forma escrita ou oral – o conteúdo memorizado, a informação que foi guardada e recuperada.

COMO OTIMIZAR O RENDIMENTO DA FASE: Aprenda a redigir e a falar com fluência. Aprenda a utilizar a linguagem humana, inclusive a não-verbal.
Não deixe o seu cérebro decidir se aquele assunto é importante ou não e, sendo assim, descartá-lo ou não. Decida conscientemente o que você pretende lembrar no futuro. Sempre que estiver estudando, programe sua memória dizendo para si próprio e para seu cérebro que aquele assunto é importante e que você pretende aprendê-lo. Utilize-se da memória de longo prazo, aquela memória que trabalha com informações estruturadas. Há uma conexão lógica.
Na memória a longo prazo, há maior atividade eletroquímica e interação entre um número maior de neurônios. A recuperação é facilitada e as informações podem retornar mais processadas. Quanto mais informação inter-relacionada, maior a capacidade do cérebro não só de armazenar as informações, mas de criar.
Dicas Práticas
Estude com atenção, faça a leitura de modo adequado, estude fazendo associações e relações, faça marcações, recite a matéria – consiste em repetir a matéria – resumos e releitura periodicamente. Faça exercícios. Elabore questionários. Treine. Execute.
Resumo e cores: Situando as informações mais importantes no centro e partindo delas para as bordas. Ao estudar faça resumos, esquemas, gráficos, fluxogramas e anotações em árvore.

Organize-se para periodicamente, ao estudar a matéria, reler os resumos que tiver preparado. Uma boa ocasião é fazê-lo a cada vez que for começar a estudar a matéria.
Desproporção: forme imagens fora da proporção normal. Exalte ou reduza as mesmas tornando a visualização fora dos padrões normais. Imaginar duas coisas lado a lado e com tamanhos proporcionais incomuns atiça a “curiosidade” do cérebro.

Utilização de imagens mentais: o uso da criatividade e da memória visual através da elaboração de imagens mentais é um dos meios mais eficientes para o registro de informações. Ao estudar ou para memorizar, utilize imagens, associações, guarde mais do que palavras, registre imagens mentais associadas às palavras. Visualize mentalmente tudo o que quer registrar.
Processos Mnemônicos
Este processo funciona com a formulação de frases, palavras ou relações com as letras do dado a ser memorizado.
“NÃO MEXE” é o processo através do qual é possível decorar a fórmula N = m.x, em química.
Etiquetação mental: Tudo o que você quiser recuperar no futuro deve ser “arquivado” em “pastas”, por assuntos mais ou menos inter-relacionados. Mentalize e/ou repita para si próprio qual é o assunto de que trata a informação que você está enviando para dentro de sua memória. Reproduza mentalmente a capa do livro, a importância do assunto, relações, tudo o que puder servir para que a matéria “entre” no cérebro bem endereçada.
Ação: As situações de movimento, dinâmicas, com aceleração ou redução são mais interessantes para memorização.
Substituição: forme a imagem de um item para substituir um outro de difícil visualização. Exemplo: amor = desenho de coração.
Estude já!
Estratégias Físicas
Comida: Então, não coma MUITO antes de estudar: dará muito sono e seu nível de concentração estará baixíssimo.

Silêncio: quanto mais tranquilo o local, melhor. Se você convive com muito barulho em casa, mude o horário de estudo, de madrugada, se preciso.
Local de estudo: locais muito confortáveis (camas e sofás) são um convite a outros prazeres que não o estudo. Cuidado também com as janelas e o monte de distrações que elas apresentam.
Posição de estudo: Quanto mais deitado, mais você vai dormir e menos estudar. Estude sentado, de modo a não prejudicar sua coluna. Coloque o livro em um ângulo de 30 ou 45 graus na mesa, a fim de não forçar seu pescoço.

Material de estudo: ao sentar-se para estudar tenha à mão tudo o que vai necessitar: papel, caneta, lápis, livros, códigos, apostilas, etc. Assim como se deve ter em mãos o material útil, coloque longe o material inútil. Uma mesa desorganizada prejudica a “organização” do cérebro e a concentração.
Horário e número de horas: descobrir se você rende mais pela manhã, tarde ou noite. O número de horas deve ser estabelecido dentro de suas possibilidades: o máximo possível, respeitada a higiene mental.
Intervalos: a realização de intervalos é uma forma de manter sadio o ambiente interno. Os intervalos são importantes porque recuperam a capacidade de assimilar os conhecimentos. Há quem prefira uma hora de estudo por 15 minutos de intervalo, ou 50 minutos de estudo por 10 minutos de intervalo. Essa relação não é fixa.
Matérias: Estude primeiramente as matérias as quais você tem maior dificuldade e no horário mais produtivo, aquele onde você está mais descansado ou pode se concentrar melhor.