“As redes sociais no processo educacional”

Em um contexto em que a informação nos chega a tempo real bastando um toque dos dedos no teclado, e a tecnologia nos oferece um leque de instrumentos que facilitam o avanço das ciências e a perfeição da comunicação, em que não há mais fronteiras nem limites, faz-se necessário um olhar terno e apaixonado pela atual conjuntura educacional.
O mundo virtual está determinando o processo de aprendizagem dos alunos. A integração das Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC – nos processos de aprendizagem pode constituir um fator de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, ela precisa estar atenta e aberta às transformações sociais, já que, como espaço articulador do saber, não pode continuar voltada ao passado, adormecida quando se trata do uso da informática e até mesmo das redes sociais. Esse modelo de educação analítica, não responde mais à geração digital. O atual contexto histórico-social requer uma escola dinâmica, atraente, capaz de organizar seu currículo o mais próximo possível da realidade do aluno, de seu cotidiano, proporcionando-lhe os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.
O que as estatísticas tem nos mostrado é um quadro, até drástico, quando encontramos crianças entrando no 6º ano do ensino fundamental semi-analfabetas. No documento final do CONAE 2010 (Conferência Nacional de Educação), descreve o panorama excludente no campo da educação. “Basta identificar que, da população com mais de sete anos, 11,2% é analfabeto/a, dos/das quais aproximadamente 2,5 milhões estão na faixa de escolaridade obrigatória (7 a 14 anos). Dentre os/as maiores de dez anos, 11,2% não tem escolaridade; e mais de 2/3 da população (60,4%) não possuem o ensino fundamental completo, tendo no máximo, sete anos de escolaridade (IBGE – PNAD 2003)”. Dados alarmantes para a educação brasileira. Se a educação é um direito social, garantido a todos os cidadãos brasileiros por constituição, porque temos esse quadro drástico? Segundo o documento do CONADE (2010b), “a ausência de um efetivo sistema nacional de educação configura a forma fragmentada e desarticulada do projeto educacional ainda vigente no País”.
Um mundo paradoxal se revela a nossa frente: de um lado o avanço da tecnologia, nos apresentando: redes sociais – como Orkut, facebook, twitter, blog, newsletter, livros digitais, lousa interativa, net books, sala interativa, jogos, games, sites, cursos a distância, um mundo a ser desvendado, a tecnologia a favor da aprendizagem; de outro lado gestores, educadores e alunos que enfrentando os desafios da falta de infraestrutura nos prédios escolares e da realidade de miséria, violência, desemprego, baixos salários, ausência de políticas públicas educacionais. É possível reduzir a distância que divide esses mundos? “O desafio é como inserir na escola um ecosistema comunicativo que contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogenias, o entorno das novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve seu encanto,” afirma Jesus Martíns Barbero (1997).
O uso das mídias como Blog, MSN, Twitter, Facebook são espaços interessante de troca de informações, discussões e compartilhamento de ideias. E certamente essa ideia pode ser adaptada para a sala de aula, com a intenção de atrair a atenção do aluno através de um ambiente familiarizado. A função dessas mídias é a exposição rápida e fácil de ideias com a possibilidade de trocas com os leitores através de comentários ou compartilhando a edição de artigos. É necessário que o professor conheça a ferramenta para conduzir o trabalho adequadamente. É muito fácil perder o foco e, para que isso não aconteça, é necessário que o docente se coloque no lugar de aprendiz. Somente conhecendo as ferramentas e usando-as em seu planejamento diário ele será capaz de conduzir o processo pedagógico, integrando as mídias sociais, sem perder o foco da aprendizagem.
As mídias têm em comum: a comunicação, a socialização, a troca. Portanto as práticas pedagógicas que utilizam as tecnologias de forma planejada permitem ao aluno o desenvolvimento de sua autonomia e trabalham a interdisciplinaridade de conteúdos. Para o aluno, o uso dessas tecnologias orientadas pelo professor e/ou adulto, ajudará no desenvolvimento de suas competências de análise e reflexão, organização do pensamento, de registro de sons e imagens, e com a tradução de textos em várias línguas. Além de ser mais atraente e próxima de sua realidade cotidiana. Eu, como gestora, faço o uso de algumas mídias sociais com o objetivo de aproximar o cotidiano escolar da vida do aluno. Acredito que, sem perder o foco e a proposta pedagógica, gestores e educadores poderão utilizar as mídias sociais como um recurso em seu fazer pedagógico.
Fonte: www.ije.org.br



